Decisão do Copom levanta discussões entre aliados e opositores do governo sobre a política monetária.
Na quarta-feira (29/1), o Copom elevou a Selic de 12,25% para 13,25% ao ano, na primeira alta sob o comando de Gabriel Galípolo. — Foto: Lula Marques / Agência Brasil via BBC
A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros de 13,25% para 14,25% ao ano gerou reações intensas no cenário político e econômico do Brasil. Este é o maior patamar desde o governo Dilma Rousseff, refletindo a preocupação em controlar a inflação em um cenário econômico desafiador.
Parlamentares aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressaram críticas à decisão do Copom, alegando que é necessário rever a política monetária atual. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), pediu “paciência” em relação ao novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmando que mudanças profundas na política não podem ser feitas de maneira abrupta. “Temos de ter a paciência necessária. O Banco Central é autônomo, e hoje considero bom que assim seja”, declarou Rodrigues.
As críticas não se restringiram aos aliados do governo. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a decisão do Copom revela um “equívoco que prejudica a economia brasileira”. Da mesma forma, o secretário de Comunicação Social do PT, Jilmar Tatto, questionou a lógica por trás do aumento e pediu uma reconsideração das políticas atuais.
Por outro lado, a oposição também não perdeu a oportunidade de criticar. A deputada Carla Zambelli (PL-SP) ironizou, dizendo que a responsabilidade pela alta dos juros não poderia ser atribuída somente ao novo presidente do Banco Central, uma vez que a política monetária atual é uma continuidade de decisões anteriores.
No entanto, especialistas apontam que a alta da Selic é uma medida esperada, dada a situação inflacionária do país. O comunicado do Copom sinaliza que novas elevações devem ocorrer na próxima reunião, agendada para maio. Analistas projetam que a Selic pode chegar aos 15% ao ano, um cenário que impõe desafios ao crédito e à atividade econômica.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, descreveu a decisão do Banco Central como uma “extorsão” que pode frustrar os trabalhadores e dificultar o aumento de empregos. Ele ressaltou que juros elevados podem estancar o crescimento econômico e comprometer o consumo.
A comunicação do Copom, por sua vez, reforça o acompanhamento contínuo da política fiscal do governo e seus impactos na política monetária. “Sem responsabilidade fiscal, não há espaço para uma política monetária mais flexível”, disse um analista.
Este aumento na Selic não apenas representa uma resposta a desafios econômicos contemporâneos, mas também uma mensagem clara sobre os objetivos de controle da inflação e a necessidade de um planejamento fiscal mais robusto.
Com o cenário atual, o debate sobre a política monetária e fiscal deve continuar a ser uma prioridade nas discussões políticas, incentivando todos os interessados a refletirem sobre as melhores estratégias para enfrentar os desafios econômicos do país.
Comentários e análises são bem-vindos para enriquecer essa discussão.
Referências
- https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/03/19/mesmo-com-bc-sob-comando-de-galipolo-aliados-de-lula-criticam-copom-lider-do-governo-pede-paciencia.ghtml
- https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/03/alta-da-selic-era-esperada-e-reflete-preocupacao-do-bc-em-controlar-inflacao-dizem-analistas.shtml
- https://veja.abril.com.br/economia/a-mensagem-de-gabriel-galipolo-a-lula-sobre-a-politica-fiscal/