Por trás das apostas: como a corrupção abala o futebol brasileiro?
Lucas Paquetá em coletiva de imprensa pela Seleção Brasileira de Futebol. Fonte: AFP.
Na última quarta-feira, 19 de março de 2025, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas do Senado aprovou o relatório final, que inclui o pedido de indiciamento de Bruno Tolentino, tio do meio-campista Lucas Paquetá. A investigação busca apurar casos de manipulação de jogos no futebol brasileiro, especialmente aqueles que envolvem apostas esportivas, e coincide com uma série de acusações que pesa sobre Paquetá na Inglaterra por supostamente tentar obter cartões amarelos intencionalmente.
O ex-jogador e atualmente senador Romário (PL-RJ) destacou a gravidade da situação: “Aqueles que têm que pagar pelos seus erros, pelos seus atos em relação à corrupção, com certeza espero que os órgãos competentes façam com que essas pessoas realmente paguem por isso.” A CPI teve seu início em abril de 2024 e levou a vários depoimentos de jogadores e diretores, além de uma análise minuciosa de transações financeiras suspeitas.
Entre as evidências está um suposto pagamento de 30 mil reais que Tolentino fez a Luiz Henrique, ex-jogador do Botafogo, para que ele recebesse um cartão amarelo, segundo registros bancários obtidos pela CPI. Documentos analisados indicam que Tolentino teria movimentado mais de R$ 800 mil em transações incompatíveis com seu patrimônio. As acusações vão de encontro ao artigo 199 da Lei Geral do Esporte, que prevê penas de dois a seis anos de prisão para quem manipular o resultado de competições.
Bruno Tolentino, tio de Lucas Paquetá, ficou em silêncio durante depoimento à CPI no Senado. Fonte: Marcos Oliveira/Agência Senado.
A CPI também requisitou a investigação de outros nomes envolvidos, como William Pereira Rogatto e Thiago Chambó, que têm ligações com esquemas de manipulação pré-existentes no futebol. Rogatto, conhecido como o “Rei do Rebaixamento”, é acusado de ter orquestrado descensos de diversas equipes no Brasil.
O relatório não apenas aponta indiciamentos, mas também sugere melhorias na legislação atual. Entre as recomendações, está a criação de um novo tipo penal para fraudes esportivas e a necessidade de um órgão específico para monitorar e fiscalizar as apostas no país, visando evitar a corrupção e proteger a integridade do esporte.
Senadores Jorge Kajuru e Romário são presidente e relator da CPI, respectivamente. Fonte: Roque de Sá/Agência Senado.
Esse escândalo de manipulação de jogos e suas implicações sobre o futebol brasileiro expõem uma fragilidade sistêmica que a legislação ainda precisa endereçar. O caminho à frente requer atenção não só das autoridades esportivas, mas de toda a sociedade para garantir que o futebol permaneça um espaço justo e íntegro.
Os desdobramentos dessa investigação vêm à tona em um momento crucial para o esporte brasileiro e suas instituições. A luta contra a corrupção é um passo necessário para restaurar a confiança dos torcedores e das entidades esportivas, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
Os leitores são convidados a compartilhar suas opiniões e reflexões sobre este tema que afeta diretamente a integridade do futebol. Você acredita que as ações propostas pela CPI serão eficazes na luta contra a manipulação de jogos? Deixe seu comentário e não se esqueça de compartilhar este artigo!
Referências
- https://www.cartacapital.com.br/esporte/cpi-das-apostas-aprova-investigacao-de-tio-de-paqueta-por-suspeita-de-manipulacao-de-jogos/
- https://ge.globo.com/df/noticia/2025/03/19/senado-conclui-cpi-da-manipulacao-de-jogos-com-tres-pedidos-de-indiciamento.ghtml
- https://www.cnnbrasil.com.br/politica/senado-aprova-relatorio-da-cpi-da-manipulacao-de-jogos-e-apostas-esportivas/