Qual o impacto das tarifas de Trump sobre o valor do real?

Por que real vive dia de ‘gangorra’ em relação ao dólar em meio a vai e vem de tarifas — Foto: Getty Images via BBC
Neste último mês, o real tem apresentado uma grande volatilidade em sua cotação frente ao dólar. Este fenômeno é resultado direto das tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo análises, o real figura como a terceira moeda que mais se desvalorizou diante do dólar, com uma queda de 5,1% desde o início das tarifas em 2 de abril, conforme o ranking da agência Austin Ratings.
A escalada de tensões entre os Estados Unidos e a China tem contribuído para a instabilidade financeira global. Com as tarifas estabelecidas por Trump chegando a 125% sobre produtos chineses e a retaliação da China, criando tarifas próprias de 84%, o mercado financeiro reagiu de forma intensa. “Esse estresse cambial é fruto da fuga do risco, alimentada pela expectativa de guerra comercial,” afirma Roberto de Lira, especialista em economia.
As consequências dessa atmosfera turbulenta têm levado investidores a reavaliarem suas estratégias. A forte exposição do Brasil às commodities e à economia chinesa faz com que, em momentos de instabilidade, o real e outras moedas emergentes sejam as mais penalizadas. Como resultado, muitos investidores buscam ativos considerados mais seguros, como o euro e o franco suíço.
Além disso, a volatilidade da moeda brasileira segue influenciando o cenário econômico. “Os investidores estão se afastando de ativos mais arriscados e redirecionando seus recursos para investimentos considerados mais seguros,” declara Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Nesta quarta-feira (9/4), Trump disse que vai taxar a China em 125% — Foto: Getty Images via BBC
A atual situação exemplifica uma verdadeira “gangorra” da cotação do real, que variou de R$ 6,09 para R$ 5,90. “Nesse momento, essa mudança da ordem macroeconômica global por meio da aplicação de tarifas indica para os investidores que há risco de recessão à frente,” completa Agostini. Esse ambiente incerto gera dificuldades em prever a trajetória do câmbio para o resto do ano.
O cenário é complexo e exige atenção por parte dos investidores, que estão mais preocupados em minimizar perdas do que em maximizar ganhos. “Enquanto houver essa queda de braço [entre EUA e China], o mercado deve ficar volátil,” conclui Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos.
Diante dessa movimentação no mercado, é fundamental que o leitor siga acompanhando as notícias sobre a economia, para entender as implicações que as tarifas e a volatilidade do câmbio podem trazer para o seu dia a dia. Compartilhe suas opiniões e dúvidas nos comentários!
Referências
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/04/09/por-que-real-vive-dia-de-gangorra-em-relacao-ao-dolar-em-meio-a-vai-e-vem-de-tarifas.ghtml
- https://www.terra.com.br/economia/real-e-a-3-moeda-que-mais-se-desvalorizou-apos-tarifaco-de-trump-mostra-ranking,28e61fb79bdd9cb2e08d7c5b998ca203v3hfjw1m.html
- https://www.infomoney.com.br/mercados/dolar-mais-fraco-ante-pares-desenvolvidos-e-real-desvalorizado-como-assim/
