Entenda os impactos da privatização dos serviços de água e esgoto no estado

Leilão foi realizado na sede da B3, em São Paulo. — Foto: CNN Brasil
A Aegea Saneamento venceu todos os lotes do leilão de saneamento básico do Pará, realizado em 11 de abril de 2025, na B3, em São Paulo. Este leilão, promovido pelo governo do estado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), teve como objetivo a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgoto em 126 dos 144 municípios paraenses.
Os três blocos, A, B e D, foram arrematados, totalizando R$ 15,21 bilhões em investimentos para garantir a universalização do abastecimento de água até 2033 e 90% do esgotamento sanitário até 2039. O Bloco B foi vencido pela Aegea com um ágio surpreendente de 650%, ao oferecer R$ 140,9 milhões, em comparação ao valor de referência de R$ 18,8 milhões.
Um dos pontos críticos discutidos entre especialistas é que os altos investimentos necessários para a prestação dos serviços podem resultar em tarifas mais elevadas para os consumidores, afetando principalmente a classe média. O advogado especialista em saneamento, Fernando Vernalha, destacou que prováveis reajustes nas tarifas podem ser reflexo dos custos operacionais altos. “O primeiro dos desafios é a extensão da área das concessões, que no Pará é muito grande”, disse Vernalha.
O leilão também gerou reações contrárias, com manifestações de urbanitários em Belém, que expressaram suas preocupações sobre a concessão dos serviços da Cosanpa. Imagens dessas manifestações, como a que mostra os protestos, foram evidenciadas com cartazes contra as mudanças propostas (imagem de protesto).

Urbanitários são contra concessão de serviços da Cosanpa no Pará. — Foto: Carolina Mota / g1
A concessão, que promete resolver problemas históricos referentes ao acesso ao saneamento básico, levanta a questão sobre a eficácia da privatização. Segundo Everson Costa, técnico e pesquisador do Dieese, a experiência anterior com a privatização do sistema elétrico no estado revelou que melhorias nem sempre ocorreram conforme prometido. “A entrega por si só desses recursos, ou a privatização por si só, não é uma garantia que tudo vai ser resolvido”, afirmou Costa.
No geral, a expectativa é que as empresas vencedoras assinem o contrato dentro de 120 dias e comecem a operar. A fiscalização ficará sob a responsabilidade da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Pará (Arcon), que terá o papel de aprovar possíveis reajustes nas tarifas.
O leilão trouxe à tona debates importantes sobre a privatização dos serviços básicos e o que isso significa para o futuro dos paraenses. O que você pensa sobre essa mudança? Deixe seus comentários abaixo!
Referências
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/aegea-vence-todos-os-lotes-do-leilao-de-saneamento-basico-do-para/
- https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/04/11/agua-e-esgoto-no-pa-entenda-baixa-competitividade-em-leilao-e-como-privatizacao-pode-afetar-o-bolso-dos-paraenses.ghtml
