Deputada tenta se estabelecer na Europa e enfrenta um pedido de prisão preventiva

A deputada Carla Zambelli (PL-SP) é investigada por contratar um hacker para atacar o Judiciário — Foto: Wagner Vilas/Enquadrar/Estadão Conteúdo
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou sua saída do Brasil, após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes relacionados à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O fato, que gerou grande repercussão, destaca a complexidade das ações envolvendo a parlamentar, que também é investigada por outras infrações, incluindo a contratação de um hacker para fins ilícitos.
No dia 3 de junho de 2025, Zambelli formalizou sua saída do país e expressou sua intenção de se estabelecer na Europa, alegando que está buscando tratamento de saúde. “É estranho abrir mão do que sempre foi meu lugar. Mas no fundo eu sei que a minha voz vai ecoar ainda mais forte, porque não vai ter mais amarras”, comentou a deputada em uma nota à imprensa. Ela mencionou também que está fora do Brasil para se preservar de uma “perseguição política” e que sua cidadania europeia lhe garante a residência legal no exterior.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou um pedido de prisão preventiva contra Zambelli, argumentando que a deputada deve ser considerada foragida. Segundo a PGR, a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol seria essencial para a aplicação da lei. Contudo, até o momento, não houve um decreto oficial do STF sobre a prisão, e a deputada não é considerada foragida até que a corte se manifeste.
O outro lado da história também é comentado. Zambelli, que já teve o passaporte apreendido em investigações anteriores, agora afirma que não havia restrições para sua saída do Brasil. “As autoridades brasileiras podem até acionar a Interpol, mas não vão conseguir fazer com que eu volte ao Brasil”, disse em entrevista à rádio Auriverde.

Deputada Carla Zambelli (PL-SP) — Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Zambelli também deixou claro que pretende pedir licença do mandato na Câmara dos Deputados e que não receberá mais seu salário. Isso se deu após a condenação que incluiu a perda de seu cargo, que agora está em processo de avaliação pela câmara.
Na defesa de sua ação, os advogados de Zambelli alegam que houve cerceamento de defesa durante as investigações, o que poderá levar a recursos e uma provável absolvição em processos futuros. Além disso, a deputada manifestou sua intenção de continuar lutando pelo seu mandato mesmo à distância, buscando apoio de parlamentares estrangeiros e denunciando o que considera abusos e injustiças praticadas no Brasil.
Essa situação provocou um alvoroço nas redes sociais e nos meios de comunicação, levantando questões sobre as implicações legais da saída da deputada, principalmente a possibilidade da extradição e as obrigações legais que o Brasil teria sobre cidadãos condenados no exterior.
O futuro político de Carla Zambelli permanece incerto, mas seus planos de resistência e ação fora do Brasil permanecem claros. Os próximos passos em relação a sua situação legal e política devem ser acompanhados de perto, pois podem ter grande impacto durante as futuras movimentações políticas no Brasil.
Referências
- https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/06/04/caso-zambelli-veja-perguntas-e-respostas-sobre-pedido-de-prisao-da-deputada-que-deixou-o-pais.ghtml
- https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/06/03/carla-zambelli-deixou-o-brasil-pela-fronteira-com-a-argentina.htm
- https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/pedro-venceslau/politica/criminalista-zambelli-nao-pode-ir-dos-eua-a-italia-se-prisao-for-decretada/
