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Morre Jean-Claude Bernardet, ícone da crítica de cinema brasileira, aos 88 anos

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A trajetória de um pensador que moldou o audiovisual no Brasil

Jean-Claude Bernardet
Jean-Claude Bernardet. Fonte: Pic. 3.1.1

Morreu na manhã deste sábado, 12 de julho de 2025, Jean-Claude Bernardet, aclamado crítico de cinema e uma das figuras mais influentes do audiovisual brasileiro. Com 88 anos, Bernardet estava internado no Hospital Samaritano, em São Paulo, onde convivia com HIV e um câncer reincidente na próstata, que ele optou por não tratar com quimioterapia. Sua morte foi confirmada pelo cineasta Fábio Rogério, que o acompanhou em seus últimos dias.

Reconhecido como um dos principais pensadores do cinema nacional, Bernardet deixou um legado impressionante. Ele foi professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e um dos fundadores da Universidade de Brasília, onde também contribuiu para a criação do curso de cinema. Segundo o professor mateus Araujo, “Jean-Claude produziu talvez a melhor crítica do cinema brasileiro da sua geração, constituindo o elo mais significativo entre o que se fazia antes e o nosso cinema contemporâneo.”

O seu extenso trabalho inclui a publicação de livros fundamentais como “Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro” e “Brasil em Tempo de Cinema”. Bernardet sempre foi uma voz ativa na defesa do cinema novo e na análise de filmes e diretores, sendo considerado um dos maiores críticos junto a nomes como Paulo Emílio Salles Gomes.

Seu corpo a corpo com o cinema refletiu seu desejo de dialogar com cineastas como Eduardo Coutinho, que ponderou a importância das opiniões de Bernardet em seus documentários. A crítica mordaz e a paixão pelo debate de ideias eram características marcantes de sua personalidade. Como ele mesmo disse, era alguém que “vive no presente, que tem poucas recordações e não faz muita questão delas”.

O velório de Jean-Claude Bernardet será realizado na Cinemateca Brasileira, um local emblemático para o cinema do país. Informações sobre os horários ainda devem ser divulgadas. Além de sua carreira como crítico e professor, Bernardet também atuou como roteirista e mais recentemente, como ator, ganhando prêmios e reconhecimento também nesse campo.

Bernardet deixa uma filha, Lígia, de seu casamento com Lucila Ribeiro. A perda desse ícone do audiovisual representa não apenas uma grande dor para a cinematografia brasileira, mas também um convite à reflexão sobre seu vasto legado e impacto na cultura nacional.

Filmes de Eduardo Coutinho
Filmes de Eduardo Coutinho. Fonte: Pic. 3.1.6

Que Jean-Claude Bernardet seja lembrado não apenas como um crítico, mas como um verdadeiro apaixonado por cinema e cultura brasileira. Que seu trabalho continue a inspirar novas gerações de cineastas e críticos, enriquecendo o debate e a produção artística no Brasil.

Para você que está lendo, o que você acha sobre a contribuição de Jean-Claude Bernardet para o cinema brasileiro? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Referências

  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/07/morre-jean-claude-bernardet-expoente-da-critica-de-cinema-aos-88.shtml
  • https://www.omelete.com.br/filmes/morre-jean-claude-bernadet-cinema-brasileiro-88
  • https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/morre-jean-claude-bernardet-grande-nome-da-critica-de-cinema-no-brasil-aos-88-anos-nprec/

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