Quais são os principais fatores por trás da queda no ritmo de crescimento?

Dinheiro na mão/Reprodução/Arquivo — Foto: Foto: Arthuro Paganini
A economia brasileira apresentou sinais de desaceleração no segundo trimestre de 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo apenas 0,4% em relação ao primeiro trimestre. Apesar de ser o 16º trimestre consecutivo de crescimento, especialistas apontam que o ritmo é mais lento do que o esperado.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados no dia 2 de setembro, a expansão anual do PIB foi registrada em 2,2%. Entretanto, diversos fatores macroeconômicos têm influenciado essa desaceleração, tornando o cenário desafiador para o país.
Um dos principais pontos destacados é o aumento nas taxas de juros, que atualmente estão em 15%, o maior índice em quase 20 anos. A alta da taxa Selic impactou diretamente o consumo das famílias, mesmo com o crescimento dos salários reais. Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, “Embora a renda esteja crescendo, o consumidor ainda sente os efeitos dos juros altos e precisa rever suas posições de crédito”.
Outro fator importante mencionado é o recuo na agropecuária, que registrou uma queda de 0,1% no segundo trimestre, após um bom desempenho no início do ano. Essa normalização é vista por Leonardo Costa, economista do ASA, como algo esperado diante da excelente safra anterior de milho e soja.
Além disso, os investimentos também estão em queda. No segundo trimestre, houve uma diminuição de 2,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), um indicador que monitora os investimentos feitos por empresas e governos. A economista Silvia Matos, da FGV-IBRE, observou que o desempenho dos investimentos foi afetado pela alta da taxa de juros e pela cautela dos empresários.
Por último, a contenção nos gastos do governo gerou uma redução de 0,6% no consumo do setor público, o que é atribuído a uma política fiscal mais restritiva após anos de gastos elevados. “O PIB se manteve positivo mesmo com a queda nos gastos do governo”, explica Maykon Douglas, economista que complementa a análise, afirmando que essa retração contribui para a desaceleração observada.
No entanto, alguns setores ainda se destacam de maneira positiva: o setor de serviços, por exemplo, cresceu 0,6%, impulsionado principalmente por atividades financeiras e de transporte. A expectativa é que a economia continue passando por essa desaceleração, mas com um suporte ocasional de fatores pontuais, como a liberação de precatórios e novos mecanismos de crédito.
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Referências
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/09/02/pib-2-trimestre-desaceleracao-economia.ghtml
- https://veja.abril.com.br/economia/com-crescimento-mediano-brasil-se-mantem-como-10a-maior-economia-do-mundo/
- https://www.infomoney.com.br/economia/pib-desacelera-2t25/
