Entidades criticam a insensibilidade da charge utilizada para abordar a remuneração dos magistrados

Mulher de cabelos escuros presos, veste beca preta com detalhes brancos e blusa rosa por baixo, posando contra fundo branco. (Imagem: Reprodução)
As últimas publicações de uma charge pela *Folha de S.Paulo* têm gerado ampla discussão e repúdio, especialmente entre entidades que representam a magistratura brasileira. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestaram suas críticas frente à abordagem insensível utilizada na ilustração.
A charge em questão se aproveitou da morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, ocorrida recentemente, para criticar a remuneração dos magistrados, utilizando a imagem de uma lápide. O presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, destacou que “liberdade de imprensa e o direito à crítica são fundamentos da ordem democrática”, mas ressaltou que isso não deve se sobrepor à responsabilidade e à ética, especialmente em contextos de luto.
A AMB, por sua vez, declarou que a charge “banalizou a morte” e não conseguiu reconhecer o sofrimento da categoria diante da perda da juíza, que estava em busca de maternidade e faleceu aos 34 anos após complicações médicas. Em uma nota oficial, a AMB afirmou que a crítica à magistratura é legítima, mas não pode desumanizar as pessoas atrás das funções e responsabilidades, afirmando que “para tudo deve haver algum limite, ao menos o limite da humanidade”.
Além disso, o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) também expressou profundo repúdio à charge e enfatizou que a liberdade de expressão não se confunde com “ofensas gratuitas a instituições e seus membros”. A instituição se solidarizou com a família de Mariana e reafirmou seu compromisso com a dignidade da função jurisdicional.
A morte da juíza e a forma como o caso foi abordado pela mídia acendeu um alerta sobre a importância de se tratar questões sensíveis com a devida atenção e respeito. O uso de símbolos fúnebres em quadrinhos para ironizar uma categoria, especialmente em um momento de dor, não deve ser tolerado, como indicam vários discursos proferidos a respeito do tema.
Com esse contexto, é fundamental que a sociedade reflita sobre a importância da sensibilidade no discurso público e a forma como a crítica é exercida, enfatizando um debate que não apenas critique, mas que também mantenha a humanidade no foco.
A discussão gerada pela charge serve como um chamado à responsabilidade na comunicação, onde as palavras e imagens têm o poder de construir ou destruir, indo além das intenções de quem publica.
Comentários e reflexões sobre este tema são encorajados. Como você vê a responsabilidade da mídia em tempos de luto?
Referências
- https://www.migalhas.com.br/quentes/455588/cnj-e-associacoes-repudiam-charge-da-folha-sobre-magistrados
- https://www.tjsc.jus.br/web/imprensa/-/nota-oficial-do-tribunal-de-justica-de-santa-catarina?redirect=%2F
- https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/05/morte-acende-alerta-sobre-coleta-de-ovulos-entenda-os-riscos-do-procedimento.shtml
