Milhares de fiéis comparecem à Grande Mosalla em homenagem ao falecido líder supremo

Com cartazes contra os EUA e Israel, manifestantes se reúnem na Grande Mosalla para o primeiro dia de homenagens ao líder supremo, morto em ataque em fevereiro. — Foto: AFP
O funeral de Estado do falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei teve início no dia 4 de julho de 2026, em Teerã. A cerimônia, que promete ser uma demonstração de força do regime, chamou a atenção ao reunir milhões de pessoas que clamaram por justiça e vingança contra os Estados Unidos e Israel, cujos ataques aéreos resultaram na morte de Khamenei quatro meses antes.
Os fiéis, majoritariamente vestidos de preto, entoavam slogans de “Vingança” e seguravam cartazes demandando a morte do ex-presidente americano Donald Trump. Os manifestantes não hesitaram em expressar sua indignação: “Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim”, disse Reza, um professor de 37 anos, ressaltando o sentimento de fidelidade e devoção ao falecido líder.

Enlutados seguram retratos do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, no início das cerimônias de seu funeral na Grande Mosalla, em Teerã, em 4 de julho de 2026. — Foto: AFP
As autoridades esperam que a homenagem atraia entre 15 e 20 milhões de participantes em um ambiente transformado em fortaleza militar, repleto de controles de segurança. Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas, estava envolvido em uma série de conflitos com potências ocidentais até sua morte aos 86 anos. As exéquias ocorrerão ao longo de seis dias e o corpo será sepultado em Mashhad, sua cidade natal, no dia 9 de julho.
A escolha da data do funeral, 4 de julho, coincide com o 250º aniversário dos Estados Unidos. Muitos presentes aproveitaram a ocasião para gritar “Morte à América!” e “Morte a Israel!”; slogans que ecoam desde a Revolução Islâmica de 1979.
A presença de líderes estrangeiros, incluindo delegações da Rússia e da China, sinaliza a importância do evento e o esforço do regime para apresentar uma fachada de unidade em meio ao descontentamento e desafios internos.
À medida que as cerimônias continuam, as tensões entre o Irã e os EUA permanecem palpáveis. “O imã Khamenei era nosso coração, nosso pai, nosso tudo”, afirmou uma participante do funeral, refletindo o impacto duradouro que o aiatolá teve sobre seus apoiadores. Com a morte de Khamenei, o Irã enfrenta um momento crítico que pode moldar o futuro da sua teocracia e posição geopolítica na região.
O funeral não é apenas uma oportunidade para lamentar a perda de um líder, mas também um momento para os iranianos reafirmarem seu compromisso com a resistência e a identidade nacional. A multidão, fervorosa em sua devoção, simboliza a determinação de um povo em meio a incertezas políticas e sociais.
Os organizadores do evento incentivam a participação do público e destacam a importância dessas homenagens. Ao longo da semana, espera-se que as cerimônias atraiam ainda mais atenção global enquanto o Irã se posiciona em um contexto político conturbado.
Referências
- https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/04/funeral-de-ali-khamenei-milhares-de-fieis-vao-as-ruas-no-ira-exigindo-vinganca-contra-trump.ghtml
- https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/07/aliados-do-regime-do-ira-se-reunem-em-funeral-de-lider-supremo.shtml
- https://www.estadao.com.br/internacional/funeral-de-lider-supremo-reune-multidao-no-ira-em-meio-a-tensao-com-eua/
