Como os BRICS estão moldando o cenário geopolítico contemporâneo?

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante o evento de MMA UFC 316, em Nova Jersey, em 07/06/2024. (Foto: White House / Daniel Torok)
As recentes análises sobre a geopolítica mundial colocam em destaque o papel do grupo BRICS, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, além de países como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Este agrupamento surge como uma resposta às estratégias unilaterais dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump.
De acordo com o artigo da socióloga Rita Coitinho, os BRICS representam uma tentativa de remodelar a ordem internacional, tornando as vozes do Sul Global mais relevantes no cenário político. Como afirmou Coitinho: “Diante desse cenário, as iniciativas de reorganização da ordem internacional, representadas pelos novos regionalismos e articulações multicontinentais como o BRICS, mantêm sua importância”.
A crescente tensão entre os Estados Unidos e a China é um dos principais motores dessa reconfiguração. Fernando Marcelino, analista internacional, destaca que “a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China representa o conflito entre capitalismo neoliberal em crise e a ascensão do socialismo como modo de produção abrangente”.
Essa disputa não é apenas política, mas envolve uma batalha econômica que pode redimensionar o comércio global. Os BRICS tentam reduzir a dependência do dólar, promovendo transações em moedas locais, uma estratégia que, embora ainda em desenvolvimento, mostra o caminho para a desconcentração do poder monetário. “Recentemente, Rússia e Irã negociaram um mecanismo de comércio em moedas nacionais”, relata Coitinho.
Entretanto, os desafios são significativos. As diferenças entre os países membros são grandes e as disparidades econômicas podem dificultar a criação de uma agenda comum. Mesmo assim, como ressalta Marcelino, “o crescimento do setor privado na China se dá em conjunto com o aumento da competitividade das estatais”, o que indica um equilíbrio entre estado e mercado que poderia oferecer uma alternativa ao modelo ocidental de desenvolvimento.
Com o BRICS se tornando um fórum importante para a articulação política e econômica do Sul Global, observa-se que esta coalizão é fundamental para contestar a hegemonia dos EUA e diversificar as alianças regionais. No entanto, as pressões do Ocidente, especialmente dos Estados Unidos, continuam a ser um fator limitante, como apontado por Coitinho ao enfatizar que “os EUA ainda têm muito poder e são ainda muito perigosos”.
O futuro do BRICS e do Sul Global poderá ser mais promissor se houver um esforço conjunto para superar as diferenças internas, resistir às pressões externas e navegar nas complexidades da nova ordem internacional.
A reflexão sobre o papel dos BRICS e a dinâmica entre socialismo e capitalismo é crucial para entender os contornos das relações internacionais na atualidade. Os leitores são convidados a compartilhar suas opiniões sobre como os BRICS podem influenciar o futuro da ordem internacional.
Referências
- https://operamundi.uol.com.br/opiniao/o-brics-frente-a-estrategia-nacional-imperialista-de-trump/
- https://www.brasil247.com/blog/disputa-entre-estados-unidos-e-china-e-uma-disputa-entre-capitalismo-e-socialismo-no-mundo
