Como brigas internas estão ameaçando a hegemonia da facção criminosa mais poderosa do Brasil?

Roberto Soriano afirma que foi delatado por Marcola — Foto: Reprodução
Uma grave e silenciosa disputa interna está em curso no Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção criminosa que se originou em presídios de São Paulo e se expandiu internacionalmente. Recentes revelações feitas pela revista *Fantástico* expõem um racha significativo na cúpula da organização, que pode impactar diretamente a segurança pública no Brasil.
O conflito central gira em torno da figura de Marcos Willians Camacho, conhecido como Marcola, que é acusado de delatar seus companheiros. Abel Pacheco, conhecido como Vida Loka, afirma que Marcola entregou informações críticas que levaram à condenação de Roberto Soriano, apelidado de Tiriça, no assassinato de dois funcionários penais federais no Paraná. Essa acusação gerou uma onda de revolta que culminou na decisão de Vida Loka e outros líderes do PCC de expelir Marcola da facção.
Para dar suporte a essa afirmação, os acusadores referem-se a um áudio gravado de Marcola, onde ele parece admitir que Soriano seria responsável por diversos assassinatos de integrantes do sistema prisional. “Nós excluímos Marcola do mundo do crime”, foi a declaração contundente de Vida Loka em resposta à revelação da delação.
O caso ganhou notoriedade ainda mais significativa durante o julgamento de Soriano, onde ele recebeu uma pena de 23 anos e 5 meses de prisão. Durante o processo, ele declarou que não se via como inimigo do PCC, mas do próprio Marcola, reforçando a divisão interna entre os membros. “Eu sou inimigo do Marcola”, disse Soriano, demonstrando que a lealdade interna está se fragmentando.
Segundo especialistas, como Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, essa situação de divisão pode marcar uma nova fase de disputas dentro do PCC, que sempre teve uma estrutura muito mais coesa em comparação com facções do Rio de Janeiro. “O que se observa é que Marcola, apesar de ainda manter uma base de apoio, está sendo desafiado cada vez mais”, explicou Manso.
As implicações deste racha são vastas, especialmente considerando a resposta do governo. As ações para isolar líderes do PCC em presídios federais desde 2012 foram uma estratégia que visava minar o controle da facção sobre as ruas. Porém, com a ascensão de novas lideranças contestadoras, a hegemonia do PCC em São Paulo e seu domínio no tráfico e outras atividades ilícitas pode estar ameaçada.
O que resta saber é até onde essa desagregação pode levar e se o estado estará diante de uma situação semelhante à do Rio de Janeiro, marcado por constantes conflitos e fragmentações entre facções.
O público está convidado a compartilhar suas opiniões sobre como esse racha pode afetar a situação da criminalidade nas ruas e o que isso significa para o futuro do PCC. Comentários e compartilhamentos são muito bem-vindos!
Referências
- https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2025/07/13/racha-no-pcc-fantastico-tem-acesso-a-videos-ineditos-que-mostram-briga-entre-liderancas-da-faccao.ghtml
- https://g1.globo.com/fantastico/video/racha-no-pcc-fantastico-tem-acesso-a-videos-que-mostram-briga-entre-liderancas-da-faccao-13754480.ghtml
- https://veja.abril.com.br/politica/como-esquema-de-desvio-de-emendas-se-espalhou-pelo-ceara-segundo-a-pf/
