Quais os impactos do tarifaço americano na política brasileira?

Lula em 14 de julho de 2024 — Foto: Evaristo Sa/AFP
A nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada entre os dias 16 e 17 de julho de 2025, apresentou um panorama encorajador para a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a imposição de tarifas de 50% pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil, Lula conseguiu reverter uma tendência de queda em sua aprovação, conforme analisado em diversas fontes.
A pesquisa indica que 43% dos brasileiros aprovam a gestão de Lula, uma recuperação de 3 pontos percentuais em relação a junho. Ao mesmo tempo, a desaprovação caiu para 53%, uma oscilação de 4 pontos. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa dinâmica reflete uma mudança significativa entre os eleitores moderados e em segmentos específicos, como aqueles com ensino superior e renda entre dois e cinco salários mínimos. “A recuperação aconteceu principalmente entre a classe média, que tem alta escolaridade, no Sudeste. Eles se percebem mais prejudicados pelas tarifas de Trump”, afirmou Nunes.
Além disso, a pesquisa revelou que a maioria da população (72%) considera que Trump está errado ao impor tarifas ao Brasil, enquanto 79% acreditam que tais taxas prejudicarão suas vidas. Nesse contexto, Lula aproveitou a situação para se mostrar como um líder firme e diplomático, ao mesmo tempo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viu sua base ser prejudicada pelas repercussões do tarifaço.

Março/2020 – O presidente dos EUA Donald Trump e o presidente Jair Bolsonaro são vistos durante um jantar no Mar a Lago, em Palm Beach — Foto: Alan Santos/Presidência via AFP
Em relação às eleições presidenciais de 2026, Lula aparece à frente em todos os cenários de primeiro turno, com desempenho variando entre 30% e 32% das intenções de voto. A pesquisa também indica que em um eventual segundo turno, Lula teria 32% contra 26% de Bolsonaro. Há ainda um empate técnico com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se mostrou como o único adversário que pode se igualar ao presidente em termos de intenção de votos para o segundo turno, mas que ainda perde para o atual mandatário.
Com isso, a pesquisa também mostrou um efeito negativo das tarifas de Trump não só sobre Bolsonaro, mas sobre outros candidatos da direita, como Tarcísio e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Este cenário evidencia como a política externa, especialmente em tempos de crise, pode influenciar diretamente nas dinâmicas eleitorais internas.
“O governo Lula virou o jogo com uma ajuda inesperada, o tarifaço de Trump”, destaca Amanda Klein em sua análise. “O tiro no pé do bolsonarismo custou caro politicamente para a direita e economicamente para o Brasil”, concluiu.
Com essas informações, a pesquisa Quaest não apenas fornece um vislumbre das intenções de voto futuras, mas também ilustra como eventos internacionais podem moldar a política nacional em um período de incertezas.
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Referências
- https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/07/18/os-recados-da-pesquisa-quaest-de-julho-para-lula-e-para-a-oposicao.ghtml
- https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/gabriel-wainer/noticia/2025/07/entre-trump-e-lula-quem-perde-e-voce-cmd8vdt1q007o01fo01f5oqkb.html
- https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/07/17/amanda-klein-governo-lula-vira-o-jogo-com-ajuda-do-tarifaco-de-trump.htm
