O uso irresponsável de procedimentos estéticos levanta questionamentos na área da saúde

Junior Dutra teria morrido em decorrência de complicações após uma intervenção estética — Foto: Reprodução Instagram.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou a investigação do dentista Fernando Simionato Garbi, após a trágica morte do influenciador Aldair Mendes Dutra Junior, conhecido como Junior Dutra, que faleceu aos 31 anos após complicações de um procedimento estético chamado ‘fox eyes’. O influenciador havia realizado a intervenção em junho deste ano e enfrentou graves dificuldades de saúde que culminaram em sua morte no dia 3 de outubro.
A morte de Junior Dutra gerou um clamor por justiça, especialmente entre amigos e familiares que pediram esclarecimentos sobre o caso. O influenciador, que acumulava mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, tinha uma trajetória marcada pela produção de conteúdos sobre beleza e moda. Em sua última postagem, ele manifestou estar “em paz com suas escolhas”, mas não imaginava que enfrentaria complicações gravíssimas logo em seguida.
De acordo com informações do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o procedimento ‘fox eyes’, que objetiva modificar a posição do canto lateral da pálpebra, é considerado invasivo e fora da competência de odontologistas. O presidente do Cremesp, Angelo Vattimo, descreveu a situação como “mais uma tragédia anunciada”, enfatizando que a entidade já vinha alertando sobre a realização de procedimentos estéticos por profissionais não habilitados.
O dentista Garbi, que atendeu Junior por cerca de quatro anos e realizou outros procedimentos como botox e preenchimentos, foi acusado de exercício ilegal da medicina por ter realizado uma intervenção que não se enquadra em suas atribuições legais. Ele argumentou que acompanhou o influenciador em suas consultas, mas o Cremesp pediu ações urgentes, incluindo a suspensão cautelar do registro do dentista e a interdição de sua clínica.
Garbi, por sua vez, se defendeu, afirmando que a infecção que levou à morte de Junior não estava relacionada ao procedimento realizado. Ele ressaltou que o fio de polidioxanona usado na intervenção é reabsorvível e seguro, mas o Cremesp reafirma que práticas como essa estão além do escopo da odontologia e representam riscos reais à saúde dos pacientes.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular adverte que procedimentos como o ‘fox eyes’ devem ser realizados apenas por médicos com a devida formação, para evitar complicações graves. A situação de Junior Dutra levanta uma questão importante sobre a regulação e supervisão de procedimentos estéticos, que devem ser realizados sob a orientação de profissionais qualificados e com ética.
A comunidade está sendo incentivada a compartilhar suas opiniões sobre o tema e a importância da segurança em procedimentos médicos. O clamor por justiça e maior fiscalização nas práticas estéticas é um assunto que deve ser discutido com seriedade e responsabilidade.
Referências
- https://oglobo.globo.com/brasil/sao-paulo/noticia/2025/10/11/mpsp-pede-investigacao-de-dentista-que-realizou-procedimento-em-influenciador-morto-meses-depois.ghtml
- https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/em-paz-com-minhas-escolhas-disse-influencer-morto-apos-cirurgia-estetica/
- https://ndmais.com.br/politica/conselho-de-medicina-quer-suspender-dentista-do-caso-junior-dutra/
