Entenda como as falas de um carnavalesco provocaram reações acaloradas no cenário cultural do Carnaval

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira — Foto: Stephanie Rodrigues/g1
O Carnaval de 2025 no Rio de Janeiro está longe de ser apenas uma festa. Nesta temporada, um clamor por representatividade cultural ganhou destaque após declarações do carnavalesco Paulo Barros, que afirmou que “os desfiles com temática africana são todos iguais e ninguém entende nada”. O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) criticou duramente essa afirmação, chamando-a de “extremamente racista e carregada de preconceito”. Vieira complementou que a diversidade nos enredos é uma forma de reparação histórica e ressaltou a importância de discutir a ancestralidade afro-brasileira no carnaval, afirmando que “a história precisa ser levada em conta”.
A rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira, Evelyn Bastos, também se posicionou sobre o tema. Em suas declarações, Evelyn destacou que é essencial reconhecer a diferença entre as narrativas relacionadas ao continente africano em comparação às europeias. “Ninguém acha que é a mesma coisa quando falamos do continente europeu. Precisamos falar da nossa origem, das nossas raízes”, afirmou. Ela ainda clarificou que os enredos afro não são apenas histórias, mas ensinos que vão além do que é ministrado nas escolas.
Além disso, a apresentadora Sabrina Sato também participou do debate, afirmando que “carnaval é liberdade” e expressou seu gosto por enredos que representem verdadeiramente o povo. Sabrina defendeu que todos devem ter a liberdade de expressar sua cultura durante a folia e esclareceu que a crítica à falta de diversidade é válida e necessária.
As discussões em torno das declarações de Paulo Barros, que lidera a Unidos de Vila Isabel, evidenciam um descontentamento crescente de artistas e figuras públicas diante da homogeneização de temas culturais no carnaval. O clima de discordância entre criar enredos que abordem a cultura afro-brasileira e as declarações do carnavalesco se torna central para as conversas sobre identidade e expressão artística no Brasil. “O que o Carnaval carioca traz é um mínimo. Não há exagero nenhum, muito pelo contrário”, finalizou Pastor Henrique Vieira.
Referências
- https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/03/paulo-barros-se-mostrou-racista-e-preconceituoso-diz-pastor-henrique-vieira.shtml
- https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2025/noticia/2025/03/03/evelyn-bastos-ressalta-importancia-dos-enredos-com-tematica-afro-ninguem-acha-que-e-a-mesma-coisa-quando-falamos-do-continente-europeu.ghtml
- https://www.terra.com.br/diversao/carnaval/videos/carnaval-e-liberdade-diz-sabrina-sato-sobre-criticas-de-carnavalesco-a-numero-de-enredos-afro,73a91b64c9b1726437302995344996c2fk1bbnlx.html
