Como as ofertas públicas iniciais têm decepcionado investidores na bolsa brasileira?

Fonte: CNBC
Um recente levantamento da Seneca Evercore revelou que a Bolsa de Valores B3 possui um histórico preocupante quando se trata de ofertas públicas iniciais (IPOs) nos últimos anos. De acordo com os dados, 56 das 72 empresas que fizeram IPO desde 2016 e que ainda estão listadas na bolsa, apresentam um valor inferior ao preço estabelecido no momento de sua oferta.
Esse cenário significa que mais de 78% das companhias listadas não geraram retorno positivo para os investidores que confiaram nelas desde o início. “Apenas 16 companhias tiveram um desempenho positivo desde a estreia na B3, e somente cinco superaram o Ibovespa nesse período”, enfatizou o relatório.
A grande concentração de IPOs em 2020 e 2021, momentos de juros baixos e alta disposição ao risco, facilita a compreensão dos resultados decepcionantes. Em um mercado marcado pela euforia, 85% das ofertas ocorreram nos dois anos citados, onde a taxa de juros estava em seu patamar mínimo, permitindo uma ampla captação de recursos a valuations excessivos.
Entretanto, a situação mudou drasticamente a partir de 2022, com a Selic atingindo 15% em meados de 2025. Esse aumento fez com que a renda fixa se tornasse mais atrativa do que os investimentos em ações, e muitos investidores mudaram suas estratégias. “Muitas dessas empresas não conseguiram manter o crescimento prometido quando o ambiente ficou mais hostil”, destacou o relatório.
Do total de 72 companhias analisadas, as que tiveram pior desempenho desde o IPO apresentaram uma taxa média de retorno negativo de 43%, gerando grandes prejuízos para os investidores que seguraram as ações. Em contrapartida, quem investiu em renda fixa durante esse período obteve um retorno consideravelmente superior.
Além do insucesso em conseguir listar novas empresas, a B3 se vê em uma situação crítica, onde os IPOs se tornaram uma raridade desde 2022, um reflexo da crise de credibilidade no mercado. Apenas uma operação da Compass Gás e Energia está prevista, e isso gera cautela entre os investidores.
A B3, ao ser procurada para comentar sobre o assunto, não se manifestou até o fechamento desta matéria.
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Referências
- https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/b3-falhou-com-investidores-que-acreditaram-em-ipos-na-ultima-decada/
