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O Dia das Mães: Entre a Celebração e a Crítica de sua Criadora

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Como Anna Jarvis, a inventora do feriado, transformou um tributo a mães em um evento comercial

Corredor queniano cruzando linha de chegada da maratona
Corredor queniano cruzando linha de chegada da maratona.

O Dia das Mães, comemorado em muitos países no segundo domingo de maio, tem uma história que poucos conhecem. A data, que agora se tornou um evento comercial significativo, foi inspirada por Anna Jarvis, uma mulher que jamais teve filhos, mas que, após a morte de sua mãe, se dedicou a criar um dia para honrá-la e a todas as mães.

Anna Jarvis iniciou sua luta em 1905, quando organizou uma homenagem à sua falecida mãe, Ann Reeves Jarvis, que havia criado um grupo de trabalho para cuidar de soldados durante a Guerra Civil Americana. O desejo de Anna era que o amor materno fosse celebrado em um dia especial. “Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães”, dizia uma oração mostrada a Anna por sua mãe.

Em 1911, todos os estados dos Estados Unidos reconheceram a celebração, que se consolidou em 1914 quando o presidente Woodrow Wilson declarou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães. A princípio, Jarvis se orgulhava da conquista, mas logo após percebeu que sua criação havia se tornado um “monstro”. Ao invés de ser um tributo sincero, a data se transformou em um carnaval de compras e consumo desenfreado.

“Ela nunca quis que o Dia das Mães se tornasse um dia para presentes caros,” relembra Katharine Lane Antolini, autora sobre a história de Jarvis. A ativista passou a criticar severamente as floriculturas e indústrias de cartões que, segundo ela, “se aproveitavam” do evento. Ao se deparar com a comercialização excessiva, Jarvis chegou a protestar e até ameaçou processar comerciantes pela apropriação da celebração.

No Brasil, o Dia das Mães foi oficialmente reconhecido em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, que buscava valorizar a figura materna em meio às transformações sociais da época. Contudo, foi durante o regime militar que a data ganhou forte apelo comercial, com campanhas publicitárias massivas que despertaram o desejo de consumo nos brasileiros.

Imagem mostra pessoas em navio
Imagem mostra pessoas em navio.

Atualmente, no Brasil, a celebração do Dia das Mães é a segunda data mais importante para o varejo nacional, com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 38 bilhões em 2026. Os produtos mais procurados incluem flores, chocolates, roupas e experiências que envolvem momentos em família.

O amor de mãe é retratado em diversas formas, e muitas psicólogas ressaltam a importância de manter o vínculo familiar ativo, mesmo em tempos de distanciamento. “Manter atividades em comum pode fortalecer laços e melhorar a conexão entre mães e filhos”, comenta a psicóloga Maria Tereza Maldonado. Ao longo da vida, relacionamentos podem ser refeitos e reforçados, mostrando que nunca é tarde para estreitar os laços familiares.

Embora o Dia das Mães tenha uma origem repleta de amor e honra, o reflexo comercial atual levanta questões sobre o real significado da data. “Devemos nos lembrar de valorizar nossas mães e avós em todos os dias do ano”, conclui Lenira Rocha Peres Mercadante, psicóloga que destaca a importância de reconhecer a dedicação das mães além das prendas materiais.

Referências

  • https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgp4dn6lggo
  • https://tribunademinas.com.br/opiniao/10-05-2026/o-dia-das-maes.html
  • https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/05/maes-e-filhos-usam-interesses-em-comum-para-fortalecer-vinculo-e-aumentar-conexao.shtml

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