Medidas drásticas de austeridade visam equilibrar a economia em meio à crise energética

Varanasi, Índia — Foto: NIHARIKA KULKARNI/AFP
O governo da Índia, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, anunciou um apelo sem precedentes à população: a recomendação para que os cidadãos evitem comprar ouro durante um ano. Essa medida surge em resposta aos crescentes impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, principalmente no que tange ao aumento significativo dos preços do petróleo.
Modi justificou a necessidade de sacrificar a compra de joias de ouro com a afirmação: “Pelo bem do país, precisaremos decidir que, durante um ano, não compraremos joias de ouro, mesmo se houver eventos em casa.” A declaração reflete a crescente pressão sobre a economia indiana, que, em grande parte, depende de importações.
Nos últimos anos, as importações de ouro da Índia geraram um fluxo de cerca de US$ 72 bilhões, o que representa uma alta saída de divisas em tempos de dificuldade econômica. “A compra de ouro vinha consumindo grandes volumes de divisas, em um momento em que a Índia enfrenta o aumento dos preços do petróleo”, explicou Modi em seu discurso.
O governo também anunciou que as tarifas de importação de ouro foram elevadas de 6% para 15%, uma jogada destinada a desestimular ainda mais essa compra. Essa estratégia visa frear a desvalorização da rúpia indiana, que já enfrenta uma queda de aproximadamente 5% em relação ao dólar americano.
Várias reações se seguiram ao apelo de austeridade. Embora alguns indianos vejam a demanda por ouro como parte de sua cultura, outros, especialmente no setor de joalheria, expressaram preocupação sobre a viabilidade de suas empresas em um cenário onde se espera que as compras de ouro diminuam drasticamente. Um joalheiro de Nova Déli relatou que a situação é “pior que a época da covid-19”.
Além disso, Modi também incentivou a população a optar pelo trabalho remoto, compartilhar carros e utilizar o transporte público como forma de reduzir o consumo de combustível, destacando que a Índia compra cerca de 90% do petróleo que consome.
Economistas estão divididos quanto ao impacto a longo prazo dessa nova política sobre o mercado global de ouro. Embora a Índia seja um dos maiores consumidores do metal, a maioria acredita que as compras podem simplesmente ser adiadas e não totalmente eliminadas. “Os apelos públicos podem trazer algum efeito, mas o mais provável é que eles posterguem ou alterem as compras, sem eliminá-las”, observou um analista do setor.
Com a instabilidade econômica e a pressão sobre as contas externas, o governo da Índia busca formas de ajustar os gastos e estabilizar sua economia. A resistência da população a essas medidas sugere que o caminho para a negociação e a compreensão dessas políticas será um desafio a ser enfrentado.
Os indianos estão se perguntando como essas decisões afetarão seu cotidiano e suas tradições, enquanto o governo luta para encontrar um equilíbrio entre crescimento e estabilidade em tempos difíceis. Os leitores são incentivados a compartilhar suas opiniões e preocupações sobre essa situação única que o país enfrenta.
Referências
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2029qwkp51o
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/15/india-manda-populacao-trabalhar-de-casa-e-reduzir-consumo-de-combustivel-devido-a-alta-do-petroleo.ghtml
