Discussão acirrada entre presidente do Banco Central e senador destaca tensão em relação à operação de venda do banco.

Fonte: Agência Senado/Reprodução
Durante uma tumultuada audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) protagonizaram um intenso debate sobre a liquidação do Banco Master e a controvérsia em torno da sua venda ao Banco de Brasília (BRB). O encontro, que durou cinco horas, foi marcado por acusações e defesas acaloradas, refletindo a grave situação enfrentada pelo Banco Central.
Galípolo contestou as alegações de Calheiros, destacando que, “no momento em que estávamos impedindo a aquisição, houve projeto nesta Casa pedindo a minha demissão”. Ele enfatizou a autonomia do Banco Central e defendeu que os procedimentos adotados foram técnicos e necessários. Segundo ele, “a função do Banco Central é tentar salvar a instituição em vez de liquidá-la. No entanto, não havia o que salvar no Master”, afirmou.
A audiência se intensificou quando Calheiros questionou a falta de ação pública de Galípolo diante das propostas no Congresso que pediam sua exoneração durante o processo de liquidação do banco. O senador classificou como “gravíssimo” o fato de o presidente do BC não ter se manifestado publicamente. Em resposta, Galípolo reiterou que a instituição “não deve agir como um palanque”. “Não é função do Banco Central gravar vídeo para o TikTok ou postar no Instagram”, defendeu.
O clima de tensão foi palpável quando Galípolo pediu, quase em desespero, “eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar”, em meio às intervenções do senador. O público presente pode sentir a polarização do debate, refletindo as divergências entre o executivo e o legislativo em relação à supervisão e autonomia do Banco Central.
Além desse desconforto, Galípolo também ressaltou a importância de uma maior autonomia orçamentária para o Banco Central, sugerindo que isso poderia aprimorar a capacidade da instituição de fiscalizar o mercado financeiro e evitar futuros escândalos como o do Banco Master. Ele lembrou que o Banco Central enfrenta um desafio significativo com a perda de mão de obra qualificada e o aumento no número de instituições a serem fiscalizadas.
O episódio não apenas ressaltou as tensões nas regras de governança do Banco Central, mas também a necessidade urgente de reformas dentro da instituição para garantir sua funcionalidade e efetividade. Com um mercado financeiro cauteloso, as decisões tomadas no Senado em relação à autonomia do Banco Central serão observadas com atenção.
O público foi convidado a compartilhar suas opiniões sobre o ocorrido, questionando as implicações do bate-boca e o futuro do Banco Central em tempos de crise.
Referências
- https://veja.abril.com.br/economia/eu-nao-consigo-falar-diz-galipolo-durante-bate-boca-com-renan-calheiros-sobre-o-master/
- https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/05/19/galipolo-defende-atuacao-do-bc-no-caso-master-e-pede-mais-autonomia-para-a-instituicao
- https://www.infomoney.com.br/politica/galipolo-volta-a-relatar-reuniao-com-vorcaro-e-que-lula-orientou-tratamento-tecnico/
