O que está por trás da paralisação na Universidade de São Paulo?

Manifestante usa megafone e levanta a mão durante protesto. Placa em destaque diz ‘Educação não é mercadoria’. Pessoas ao fundo participam da manifestação em ambiente urbano. Foto: Folhapress
Em meio a uma greve que já dura mais de um mês, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que as reivindicações dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) são justas. Durante um evento na zona norte, ele afirmou que a universidade possui “dinheiro em caixa”, se referindo à disponibilidade orçamentária da instituição, que conta com um orçamento recorde de R$ 9,41 bilhões para 2026.
Tarcísio argumentou “As universidades [paulistas] hoje têm dinheiro em caixa? Tem. É justo que os alunos briguem por melhoria no programa de permanência? É justo, claro”, deixando claro que as decisões sobre ajustes e melhorias na infraestrutura da universidade são indelegáveis à reitoria, que gerencia o orçamento. A paralisação ganhou força com a adesão de professores, que também solicitam melhorias salariais e o retorno às negociações com os alunos.
As principais demandas dos estudantes incluem um aumento no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), atualmente estipulado em R$ 885 mensais, para um valor equivalente ao salário mínimo paulista de R$ 1.804. A proposta da USP é elevar o auxílio para R$ 912, o que foi considerado insuficiente pelos manifestantes.
Recentemente, a administração da USP encerrou unilateralmente as negociações com os representantes estudantis, levando à ocupação da reitoria pelos alunos. A medida foi vista como uma forma de pressionar a reitoria a reabrir o diálogo sobre as demandas apresentadas. “Se na mesa de negociação não existe diálogo, então vamos pautar as nossas necessidades no Conselho Universitário”, afirmaram os alunos em nota.

Imagem que ilustra os problemas enfrentados no Crusp, onde os estudantes exigem melhorias. Foto: Divulgação
Com o movimento em curso, a comunidade acadêmica enfrenta um impasse. Alunos e professores afirmam que o diálogo entre a reitoria e os estudantes é fundamental para pacificar a situação e garantir os direitos de todos os envolvidos. Durante a última assembleia, ficou claro que a greve representa a união de esforços para compromissos reais com melhorias nas condições educativas e habitacionais da universidade.
A declaração de apoio do governador representa uma mudança de tom em relação à sua postura inicial, onde considerava a greve pouco compreensível. Tarcísio agora reconhece a legitimidade da luta dos estudantes, principalmente no contexto das críticas à gestão do Crusp (Conjunto Residencial da USP) e ao bandejão.
A paralisação não afeta apenas o calendário acadêmico, mas também a imagem da universidade, que enfrenta críticas pela falta de investimentos adequados e melhorias na infraestrutura. Para a comunidade acadêmica, é crucial que ambas as partes se reúnam para um diálogo produtivo que possa trazer soluções concretas e satisfatórias para os problemas enfrentados.
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Referências
- https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/05/tarcisio-diz-que-usp-tem-dinheiro-reivindicacoes-de-alunos-sao-justas-e-greve-e-assunto-da-reitoria.shtml
- https://jornal.usp.br/artigos/por-um-pacto-uspiano/
- https://www.estadao.com.br/educacao/claro-que-e-justo-diz-tarcisio-sobre-reivindicacoes-de-alunos-em-greve-na-usp-npr/
