Descoberta desafia a visão convencional sobre a inatividade vulcânica!

Visão geral da composição e da idade das erupções do vulcão Methana — Foto: Răzvan-Gabriel Popa et al.
Nas últimas semanas, o vulcão Methana, localizado na Grécia, surpreendeu a comunidade científica ao despertar após mais de 100 mil anos em silêncio. Este fenômeno foi revelado por um estudo publicado na revista Science Advances e realizado por pesquisadores do ETHZ (Instituto Federal de Tecnologia de Zurique), que indicou que, mesmo sem erupções, o vulcão continuava a acumular grandes volumes de magma em suas profundezas.
De acordo com Olivier Bachmann, um dos autores do estudo, “nós podemos pensar nos cristais de zircão como minúsculas caixas-pretas”. Esses cristais, que foram analisados ao longo de 700 mil anos, revelaram que, apesar do longo período de aparente inatividade, a atividade magmática subterrânea se manteve intensa. Mesmo sem atividade visível na superfície, “o maior pico de formação dos zircões ocorreu justamente durante o intervalo de mais de 100 mil anos sem erupções”, alertou Bachmann.
A pesquisa também destacou que o magma acumulado sob o vulcão Methana não apenas sofreu alterações geológicas, mas também foi influenciado pela presença significativa de água, o que resultou em um material mais viscoso e menos móvel. Os autores do estudo, incluindo Răzvan-Gabriel Popa, informaram que “muitos vulcões em zonas de subducção podem ser alimentados periodicamente por magma primitivo particularmente úmido”, um aspecto que ainda precisa ser totalmente reconhecido pela comunidade científica.
A maior preocupação levantada por esta investigação é a reconsideração dos riscos vulcânicos relacionados a vulcões que, tradicionalmente, são considerados extintos ou de baixo risco após longos períodos de inatividade. “Períodos prolongados de dormência não necessariamente representam a morte de um sistema vulcânico”, reiterou Bachmann. Para os especialistas, a acumulação de magma pode resultar em terremotos, deformações no terreno e outras alterações que devem ser monitoradas de perto.
Assim, o novo entendimento sobre o vulcão Methana serve como um alerta para autoridades em regiões vulcânicas pelo mundo. “Isso significa reavaliar o nível de ameaça de vulcões que estiveram inativos por dezenas de milhares de anos, mas que apresentam sinais periódicos de atividade magmática”, concluíram os pesquisadores, enfatizando a importância do monitoramento geofísico, mesmo para vulcões considerados adormecidos.
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Referências
- https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2026/06/vulcao-desperta-apos-100-mil-anos-e-acende-alerta-sobre-outros-gigantes-adormecidos.ghtml
