Reação de Lula e contestações marcam a vitória da filha do ex-ditador Alberto Fujimori

Keiko Fujimori faz discurso em Lima, em 24 de junho de 2026 — Foto: Angela Ponce/Reuters.
A política peruana vivenciou um momento histórico com a eleição de Keiko Fujimori, que foi proclamada como a nova presidente do Peru após uma acirrada disputa eleitoral contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com 50,135% dos votos, Fujimori superou seu concorrente, que obteve 49,865%, em uma diferença de apenas 49.641 votos. Este resultado foi oficialmente ratificado pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE) em uma cerimônia no dia 3 de julho de 2026.
Durante suas declarações, Fujimori destacou a divisão no país, afirmando: “Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”. O desafio à frente não será fácil, considerando o aumento da criminalidade e um legislativo polarizado entre direita e esquerda. Ela assumirá a presidência em 28 de julho e seu mandato está previsto para durar cinco anos.
Além da polarização política, a eleição também foi marcada por protestos e contestações por parte de Roberto Sánchez, que insinuou a possibilidade de irregularidades e afirmou que contestará os resultados na Corte Internacional de Direitos Humanos. “Sánchez convocou seus apoiadores para protestos, alegando fraudes nas eleições”, relata a reportagem.

O candidato presidencial de esquerda do Peru, Roberto Sánchez, usa um megafone para discursar para seus apoiadores durante um protesto — Foto: Reuters/Alessandro Cinque.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi um dos primeiros a parabenizar Fujimori por sua vitória, destacando em um post que deseja “pleno êxito na condução de seu mandato e na importante tarefa de agregar o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento”. Lula também reforçou o desejo de uma América do Sul próspera e integrada.
A eleição de Keiko marca o retorno do fujimorismo ao poder, um movimento político que ressurge acompanhado de um legado controverso, já que seu pai, Alberto Fujimori, foi um ex-presidente que governou com mão de ferro nos anos 90 e é frequentemente lembrado por seus escândalos de corrupção e violações de direitos humanos. Fujimori prometeu um governo focado na segurança, crescimento econômico e desenvolvimento social, mas enfrentará dificuldades em um cenário político dividido.
Nos últimos anos, o Peru enfrentou uma crise política severa, com vários presidentes em um curto período, o que faz de Keiko a nona pessoa a assumir a presidência em uma década. O seu governo, além de lidar com uma oposição acirrada, será avaliado com base na capacidade de unir um país que, segundo suas próprias palavras, “está dividido”.
A expectativa sobre sua administração e a resposta da população frente a um governo fujimorista novamente no poder permanecerá no centro das discussões políticas no Peru nos próximos anos.
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Referências
- https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/03/keiko-fujimori-e-a-nova-presidente-eleita-do-peru-apos-proclamacao-do-resultado-pela-autoridade-eleitoral.ghtml
- https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/07/lula-parabeniza-keiko-fujimori-por-eleicao-no-peru-questionada-pela-esquerda-local.shtml
- https://www.ihu.unisinos.br/667872-o-fujimorismo-retorna-ao-poder-no-peru-e-reacende-o-fantasma-do-autoritarismo-e-uma-coalizao-mafiosa
