Encontro reuniu jornalistas e especialistas para debater a cobertura de crises nos últimos anos!

Fonte: Ana Estrázulas
O seminário “Perspectivas comunicacionais sobre desastres climáticos” ocorreu em Porto Alegre, no dia 24 de julho de 2026, parte da Semana de Ação Climática. O evento teve como foco a discussão sobre a cobertura da imprensa em momentos críticos, especialmente nas enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. A ação foi promovida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com diversas instituições, como o Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul.
A mesa inicial contou com a presença do jornalista Luciano Velleda e do cacique kaingang Odirlei Fidelis, além da jornalista Camila Santos, que abordaram a comunicação de risco e sua eficácia em momentos de crise. Segundo Velleda, “para que a comunicação de risco seja efetiva, ela precisa ser compreensível e chegar a tempo de permitir que a população atue”.
O Cacique Odirlei fidelis compartilhou a experiência da aldeia Van Ká durante as enchentes. Ele relatou que cerca de 70% de seu território ficou submerso e que a comunidade não recebeu apoio governamental durante o período crítico. Ele destacou: “Nos organizamos com recursos próprios e com ajuda de amigos da cidade. Não tivemos apoio de nenhuma instituição governamental”.
Em uma segunda mesa, a professora Eloísa Beling Loose expôs o cenário da pesquisa acadêmica sobre o tema, abordando as lacunas na cobertura das semanas de tragédias, onde o foco é muitas vezes colocado apenas no evento em si, deixando de lado a importância do acompanhamento da recuperação a longo prazo. “Comunicação e percepção de risco devem ser trabalhadas de forma articulada”, afirmou a professora.
Outro ponto importante levantado por Luís Eduardo Gomes, do Sul21, foi a necessidade de uma cobertura mais integrada das questões climáticas em diferentes editorias de notícias. Ele defendia que esses temas não podem ser tratados isoladamente, e a responsabilidade da imprensa deve se estender além do evento emergencial.
A editora-chefe do Brasil de Fato, Katia Marko, trouxe ao debate questões sobre a responsabilidade política no agravamento de desastres naturais, ressaltando que “o desastre é provocado”, e que as políticas públicas desempenham um papel crucial na segurança da população.
A partir deste evento, ficou evidente a importância de uma comunicação eficaz, que integre diferentes vozes e contextos, especialmente em momentos críticos como os desastres climáticos que o Brasil tem enfrentado.
Para encerrar, o seminário se propôs a criar uma plataforma de diálogo sobre a comunicação de riscos nas comunidades, fortalecendo a comprometimento entre a imprensa e a sociedade em tempos de crise.
E você, o que pensa sobre a comunicação em desastres extremos? Deixe seu comentário e compartilhe suas opiniões!
Referências
- https://www.brasildefato.com.br/2026/07/24/quando-a-agua-chega-seminario-debate-como-informar-em-meio-a-desastres-climaticos/
- https://coletiva.net/academia/evento-na-ufrgs-discute-acesso-a-informacao-da-imprensa-em-desastres-climaticos/
