O que a interação entre duas gerações revela sobre relacionamentos e machismo?

Thiago Fragoso, Alexandra Martins, Christiane Torloni e Antonio Fagundes em “Dois de nós” — Foto: Divulgação/Renata Casagrande.
No cenário teatral do Rio de Janeiro, a peça “Dois de Nós”, estrelada por Antonio Fagundes e Christiane Torloni, está atraindo um público admirável desde sua estreia no Teatro Axia Casa Grande. O espetáculo, que já conquistou mais de 200 mil espectadores em suas apresentações, mergulha na complexidade dos relacionamentos na terceira idade, abordando temas como machismo, rotina e as realizações pessoais dos protagonistas.
Entre risos e reflexões, a obra narra a crise de um casal na faixa dos 70 anos, Pedro Paulo (Fagundes) e Maria Helena (Torloni). Em um ambiente que remete a um quarto de hotel, suas versões mais jovens, interpretadas por Thiago Fragoso e Alexandra Martins, aparecem como um reflexo de suas vidas passadas. Conforme o autor Gustavo Pinheiro expressa, “a ideia era que a gente se olhasse no espelho e fizesse esse exercício: ‘Quem eu sou? Será que me tornei uma pessoa melhor do que era há 30 anos?'” Essa provocação ao público convidou muitos a refletir sobre suas próprias jornadas pessoais.
Antonio Fagundes, que tem uma longa trajetória na televisão e no teatro, tem se destacado nesta peça, especialmente pela forma autêntica como aborda seu personagem. Ao tratar do comportamento machista, Fagundes explica: “Esse homem foi formado dentro da misoginia, do racismo, do patriarcalismo, mas vai evoluindo”. Este arcabouço é essencial para despertar na plateia uma nova compreensão sobre masculinidade e vulnerabilidade. “Geralmente, os homens só vão ao teatro arrastados pelas mulheres, mas estamos tendo processos inversos”, complementa o ator.
Christiane Torloni ressalta a importância desse diálogo. “Quando você bota na boca do Rei do Gado, do macho alfa da TV brasileira, isso bate no coração dos homens de um jeito bonito”, afirma, evidenciando a conexão emocional que a peça provoca. Essa troca entre o casal de atores é notável não só pela química que já foi vista em novelas, mas também pelo atual enfoque sobre temas que, embora possam parecer delicados, são tratados com sensibilidade e humor.
A peça proporciona também um espaço de acolhimento, onde espectadores compartilham suas vivências após as apresentações. Nesses momentos, são frequentemente relatadas histórias tocantes, como a de uma mulher que, após 30 anos, viu seu marido pegar em sua mão durante a peça, evidenciando o impacto emocional que “Dois de Nós” tem gerado.
Os ingressos estão disponíveis até 1º de novembro, com sessões de quinta a sábado às 20h e domingos às 17h, a partir de R$ 160.
Em suma, “Dois de Nós” não é apenas uma peça de teatro; é uma oportunidade de reflexão sobre o machismo e as mudanças necessárias nas dinâmicas de relacionamento, mostrando que nunca é tarde para repensar nossas atitudes e comportamentos.
Referências
- https://oglobo.globo.com/rioshow/teatro-e-danca/noticia/2026/07/24/quando-o-macho-alfa-da-tv-brasileira-fala-sobre-machismo-toca-o-coracao-dos-homens-diz-christiane-torloni-sobre-peca-com-antonio-fagundes.ghtml
- https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/saudades-de-arthur-brandao-antonio-fagundes-estreia-dois-de-nos/
- https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/autocuidado/moda/monocromia-segue-em-alta-com-flavia-alessandra-de-cinza-e-juliana-paes-de-amarelo-manteiga,2c73e9ef0fc0f30bd4076c502ec036ddqthgoiv3.html
